Ex-voluntária fala sobre a importância do projeto, dentro e fora da academia


"(...) Eu aprendi com elas [as crianças com câncer] que,
não importa o tempo que temos, o importante é lutar
sem jamais perder a fé. (Foto: Instituto Anjos da Enfermagem)
    Aliniana Santos já concluiu o curso de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri (Urca) e, às vésperas da colação de grau, em entrevista ao Núcleo de Comunicação (NUCOM), ela fala sobre a importância que o projeto trouxe para a vida acadêmica e pessoal, durante e depois do período de voluntariado.
Em 2009, inscreveu-se para as seleções de novos anjos, e conseguiu uma vaga no seleto grupo dos voluntários. Durante um ano, viveu experiências que julgam como as mais fantásticas de sua vida e diz ainda que suas expectativas sobre o programa foram superadas. Confira abaixo a entrevista com Aliniana Santos.

NUCOM: Por que fazer parte do Instituto Anjos da Enfermagem?

Aliniana Santos: Eu queria amenizar o sofrimento das crianças portadoras de câncer, queria que elas me vissem como alguém que ia ajudá-la a superar os seus momentos difíceis, porque a gente sabe o quanto o tratamento é doloroso.

NUCOM: Que tipo de expectativa você tinha antes de ser voluntária? Ela foi correspondida?

Aliniana Santos: As minhas expectativas foram superadas! Me encantei com a proposta do projeto, com o personagem que a gente se transformava, com a forma com que as crianças nos recebiam. Elas se encantavam com nossa presença, brincavam, dançavam. Tinham seus anjos “preferidos”, criavam laços de amizade, confiança, vínculos que durante todo o tempo de voluntariado era mantido, porque as visitas eram em um dia fixo da semana, então, as mesmas crianças brincavam quase sempre com o mesmo voluntário. Foi gratificante porque eu conseguir fazer várias crianças sorrirem, dançarem, jogarem bola, entre outras coisas.

NUCOM: Qual o momento mais difícil do período como anjo?
Aliniana Santos: Pra mim, a parte mais difícil foi no fim do voluntariado, em 2010, com a perda de um menino de apenas nove anos. Ele estava presente em todas as visitas que realizei como voluntária. Uma semana antes da sua partida para o encontro de Deus, ele, mesmo debilitado, sem forças, me pediu pra segurar o lápis de cor com ele e fazer um desenho, e pra minha surpresa o desenho era pra mim, e eu o guardo até hoje comigo. Ele sabia que não ia mais passar muito tempo daquele jeito, eu senti que foi uma despedida.
NUCOM: De que forma o projeto Anjos da Enfermagem influiu na sua vida acadêmica e pessoal?
Aliniana Santos: Enquanto acadêmica, o projeto me mostrou a importância de se trabalhar em equipe, a vivência do que é realmente a humanização em saúde, do que é ser uma enfermeira não só de práticas, mas do cuidado em sua essência, preocupando-se em proporcionar um pouco de bem estar dentro de um ambiente hostil como o hospitalar. Enquanto pessoa, mostrou-me como é ser um anjo de verdade na vida de alguém, a importância de ser uma eterna criança em alguns momentos.

NUCOM: Qual a lição que você carrega consigo deste tempo da sua vida?

Aliniana Santos: A maior lição foi em relação à forma com que algumas crianças encaravam a doença, o tratamento ou até mesmo a morte. Eu aprendi com elas que não importa o tempo que temos, o importante é lutar sem jamais perder a fé, a esperança e a alegria, mesmo que seja difícil a gente pode encontrar força pra seguir em frente!
NUCOM: O que ficou na memória após o período de voluntariado?
Aliniana Santos: Ficou a saudade das crianças da minha época como voluntária. Ficaram gravadas as brincadeiras, danças e a interação que a gente tinha com todo mundo durante as festinhas comemorativas. E, o mais importante, o sorriso que a gente conseguia tirar das crianças. Foram vários os momentos que ficaram gravados na minha memória. Foi muito bom fazer parte da história da família dos anjos. A sensação que tenho hoje quando me lembro dos bons momentos que tive dentro do projeto são indescritíveis.

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